quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Meu País


Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo.

Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves

sábado, 27 de junho de 2009

Abençoado


Levantei os pensamentos
Dessa cama de ilusão
Ancorei os sentimentos
No cais do seu coração

Agora minha fé está
de bem com Deus
Longe das dúvidas
e do espelho dos ateus

Sou um sopro bento de amor
Exaltado pelo firmamento
Ligado a um fio condutor
Conectado em seu pensamento

Estou em paz em paciência
E você está comigo
Acesa em minha consciência
No coração que lhe abrigo

Vou além do que sou capaz
Com a força que vem de ti
Com este impulso que me faz
Jamais deixar de te seguir

Sou um santo consagrado
Que Deus fez através de você
Propenso a qualquer pecado
Mas tão disposto a não ceder

Você é minha luz
O meu porto seguro
Que pela vida me conduz
Em busca do nosso futuro

Somos mais que apenas dois
Vibramos na mesma frequência
Antes, agora ou depois
Somos a prova da existência

Somos a trilha de um novo caminho
Depois de um deserto que passou
Que mesmo cheio era sozinho
Agora somos o que se completou

Vamos tomar as asas do vento
E voar pra outra dimensão
Pra longe dos maus sentimentos
Que vagam aqui pelo chão

Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma força...


Não sei que força é essa que me força a escrever,
E por não saber é que escrevo com tanta veemência,
Uma energia cósmica transforma minha alma
E leva meu ser a impelir esse desejo latente,
E por sentir vontade é que não me torno inerte
Às coisas que vem forçar a minha desistência.
Sei o quanto é difícil aplicar nossos ideais
Em um mundo caótico e cheio de demasias,
Mais também, sei o quanto é preciso navegar,
Assim como viver de sentidos atentos
às transgressões desta vida.
Seja pela fé, seja pela razão ou pela união destes,
O correto é que a virtude deva prevalecer,
Ainda que as pedras estejam em nosso caminho,
Devemos seguir em busca do caminho das pedras,
Pois, a jornada é quem revela o segredo de toda
A renovação e libertação da alma...
Antes de buscarmos um lugar ao sol,
Busquemos primeiro um lugar aqui na terra,
Comungando nossos conhecimentos, sonhos e opiniões,
Para que nos tornemos pessoas melhores e capazes
De conduzir o bem de maneira multiplicativa,
Atingindo a todos que necessitem dele para então,
Unificá-lo a todas as realidades existentes.
Esse é o fundamental desafio para nós seres humanos,
E essa talvez, seja a força que me impulsiona a escrever.

Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)

sexta-feira, 27 de março de 2009

A marca dela


E quando ela me deixa
Mesmo por um tempo que seja
Vem logo uma saudade
Em meu peito se deitar

E até mesmo a distância tem o
seu lado bom
Pois aumenta em mim a saudade
e a ansiedade é maior

Para encontrar mais uma vez
Como se fosse a primeira
E ver tudo começar de novo
Quase sempre como brincadeira

E o dia parece se afastar
Do outro dia que vai chegar
Só para ter tempo a mais
Com o momento que jamais...
Vai se fechar...

Quem sabe uma certeza
Ou então, estou certo que sim...
A vida é como a beleza
E você, a natureza em mim...

Resta agora esquecer o ontem
E algum ressentimento que há
Não quero que a dores me contem
Sobre as mágoas que guardei por lá

Vai chegar o instante da chuva
Pra lavar e levar o que ficou aqui
Só me basta agora as novas marcas
Que ela tem para gravar em mim

E assim eu me deito feliz
Por saber que amanhã
Ela vai estar em mim.

Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)

[Para minha doce menina...]

domingo, 15 de março de 2009

Uma prece incomum


Mesmo sem querer ela não me deixa em paz
E vou duelando contra mim numa guerra sem fim
E minha arma sem munição já não é capaz
De atingir o ponto crucial desses confins

O meu alvo almejado sempre foi teu coração
Meu desafio é atravessar o rio que nos divide
E levar até você uma pungente canção
Pra tocar o teu silêncio que em mim reside

Mas você consegue facilmente me desarmar
E me deixar paralisado sem nenhuma reação
Basta apenas um leve disparo do teu olhar
Pra desequilibrar de vez minha razão

E só de estar ao teu lado a memória começa a fraquejar
E o silêncio deixa de ser coadjuvante e passa ao papel principal
Mas nem sempre a todos, ele vai agradar.
Porque apesar de ser bom, ele às vezes não é o ideal.

E quando eu penso em expulsar esse engasgado brado
O silêncio prende minha língua e pede pra eu me acalmar
Então eu vejo que em certas horas é melhor ficar calado
Do que gritar sem medir as palavras, acabando por magoar.

E você não sabe como é ruim chorar sem as lágrimas derramar
Porque quando ela vem à tona é impossível de conter
É como se fosse um dilúvio que nunca vai parar
E que pouco a pouco vai se emergindo até afogar você

Você invade os meus sonhos como uma estrela nebulosa
Naufraga meu entusiasmo só com uma palavra
Parte o meu coração e arranca uma pétala de rosa
Depois com olhos rasos d'água vem e me lava

E eu moleque de pés descalço no chão
Acostumado em lugares ásperos andar
Mas já sangrando peço-lhe alguma proteção
Nem que seja uma meia fininha pra minha dor disfarçar

Esse cemitério um dia já foi bem mais florido
Mas as flores quando estão tristes também morrem
Exaustas de verem entrar quem havia vivido
Tantas vidas inermes que no tempo decorrem

Mas eu sei que quando eu partir levarei comigo você
Pois somos inerentes a um fio de fibra maleável
E nada que por ventura aconteça fará esse fio romper
Porque apesar de suas inclinações ele é bem estável.

Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)

domingo, 8 de março de 2009

Ao poeta dos poemas mortos


Não foi o primeiro, nem o segundo, tão pouco o terceiro.
O motivo? Não considero uma crise de inferioridade, talvez
Seja mesmo medo... Medo de enfrentar a si mesmo, medo de
Expor suas ditas “bobagens” que de bobo não tem nada.
É tão clara a competência que se vê estampada na criação,
No entanto, o criador insiste em extinguir a criatura,
Quando este oferece a ela pernas,
Mas não dá movimento colocando-a para caminhar,
Ou então quando lhe dá mãos, porém, sem o tato
Ou quando lhe dá asas enormes mais quebradas
Ou ainda mais quando lhe dá a cabeça,
Uma cabeça com pensamentos receosos
Que são embrulhados e jogados em um lugar qualquer...
Um pecado contra a poesia?
Digo que sim, um pecado por não dizer aquilo
Que a alma sente com voracidade,
Um desejo que suprime qualquer regra,
Métrica ou estética.
A beleza não se encontra na ordem, o belo da poesia
Está em não conseguir jamais montar o quebra-cabeça... É isso...
O compromisso com a poesia está na fidelidade
que devemos ter para ela,
Se fizermos dela apenas bolas de papel com destino a vasos de lixo,
Ela vai acabar como animais em extinção,
O ideal seria reciclá-las da melhor
Maneira possível para que nunca falte,
Para que nunca desbote a cor...
Afinal, independente do caos, do vão, do mero,
do não, do zero, do vir, do ser, do ter, do ver,
do verbo, do quê, do qual, das quantas, dos poréns...
Independente de todas essas e outras coisas, “a poesia prevalece.”

Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Retomando com outro pensamento


O que eu vou falar não estava previsto
Visto que, o que eu falaria, precedia o que agora eu vou falar
São coisas que chegam de repente e simplesmente se vão
Quando a gente se esquece de anotar
Sendo assim, falarei de uma coisa qualquer
Entre tantas coisas que existem pra falar
Mais precisamente aquilo que primeiro vier
Como uma idéia que já existe suspensa no ar
Que o pensamento agarra e põe a funcionar
E é assim que a vida também se move
Quando a mente se coloca a frente do que está imóvel
E a tudo o que se faz necessário ela absorve
Dando a partida para tracionar como um automóvel
E as coisas caminham, cada uma no seu ritmo
Mas hoje confesso que muitas estão fora de lugar
E eu me pergunto olhando fundo no meu íntimo
Por que é que deixamos tudo se desequilibrar?
Eu também errei admito, mas procurei também acertar
Meu equívoco foi pensar estar agindo certo
Minha sensatez foi quando me fiz repensar
E por mais que se pense estar chegando perto
É só uma pequena parte de um longo caminho a se trilhar
Pois é, meus amigos, a cada desafio vencido
Muitos ainda virão colocar nossa resistência a prova
Cabe a nós estarmos sempre decididos
Eliminando as dúvidas ao fazer uma escolha nova
E como eu disse no início, não era isso que estava previsto,
Mas como minha memória às vezes falha
Eu olho para as palavras e nelas me avisto
E vou junto com elas enfrentar esta batalha
Contra ao que é contra a voz da poesia
E se acontecer de eu esquecer aquilo que eu dizia
Não me importa, pois, as portas da poesia
Estarão abertas todos os dias...
É só entrar, pegar uma caneta, escolher uma idéia
E traçar alguma linha entre os itinerários dessas vias
Somos nós que damos vida a nossa história
Somos nós que fazemos ela crescer
E mesmo existindo o fracasso, temos também a vitória
Depende de nós saber o que fazer...
No teatro da vida estamos sempre improvisando,
Não há ensaios, é quase sempre espontâneo o que vem a nascer
E talvez tudo que eu falei até aqui já tenha sido dito
Mas ainda assim eu insisto também em dizer...
Depende de nós, atribuir o mais belo sentido ao nosso viver.

Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)