Vaguei em sonhos meio acordado
Despi minh’alma meio sem vergonha
Olhos nublados feito céu carregado
Rolei pra o lado que despi a fronha
Costurei na mente uma imagem santa
Me pareceu Davi de Michelangelo
Ou talvez fosse uma mulher de manta
Tal qual aquela da hora do Angelus
Brinquei que eu era um herói do futuro
A construir palácios e castelos
Aberto a todos sem proteção de muros
Livre das sombras perene do flagelo
Cantei no silêncio uma canção arcaica
Que me fez lembrar um tempo não vivido
Chorei uma lágrima meio assim prosaica
Na fonte serena de um lugar escondido
Rezei aos poetas nobres de vanguarda
Para que trouxessem na palavra, arroubos...
Seguidos de luz e da verdade que aguarda
A hora certa de desmascarar os lobos
Quando enfim me retirei do meio sono
Me senti assim meio metade do que fui
Quem sabe fosse vertigem do abandono
Ou apenas uma sensação que não me flui.
Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)





