quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Quando o olhar se engana



É engraçado e ao mesmo tempo estranho como as pessoas dão valor inestimável à mera aparência. Certa vez estava eu no ponto de ônibus, aguardando, quando de repente vinha um mendigo em direção às pessoas que juntamente comigo também aguardavam a chegada do ônibus. Era um homem de meia idade, de roupas rasgadas, bastante sujo, descalço e de cabelos longos, olhos de fome e extremamente exausto pelas opressões da sociedade. Com certeza o tempo não havia sido gentil com sua vida e, perspectiva era algo avesso ao que se podia enxergar naquela ocasião. Mas o que me chamou a atenção foi que ele olhava com firmeza e sinceridade nos olhos das pessoas que ali estavam, pedindo delas apenas algumas moedas para saciar sua fome e nada mais. E como é o costumeiro, algumas pessoas diziam que não tinham dinheiro pra lhe dar, isso quando chegavam a falar, pois, muitas nem sequer abriam a boca pra dizer um “não tenho”.  Algumas até diziam: “deve ser pra comprar drogas ou pra tomar cachaça”. Observei atentamente a reação das pessoas que ali estavam e, quando o mendigo se dirigiu até a mim pedindo umas moedas, não indaguei pra quê mesmo seria o dinheiro, apenas tirei do bolso umas poucas moedas e o entreguei. Não sou muito de acreditar nos pedintes, mas ele me pareceu bastante franco e convincente quando disse que estava com fome. Quando o entreguei as moedas, ele me disse o seguinte: – Amigo, na verdade eu não sou mendigo e nem preciso do dinheiro, pelo contrário, sou muito bem resolvido financeiramente. Me passei por mendigo intencionalmente a fim de conhecer  como as pessoas realmente são e, com certeza eu pude perceber que a aparência veste uma pessoa, porém, não diz o que ela realmente é. Tenha um bom dia e obrigado por ter confiado na minha aparência.

Heitor Idílio (Pseudônimo de Alma de Poeta)

1 Apreciações:

Camila disse...

É poeta, é preciso reconhecer no outro a Humanidade da qual fazemos parte. Já que fazemos parte de um todo composto de partes que se complementam entre si, então é necessário perceber que um mendigo ou uma flor tem seu lugar no universo enquanto parte da humanidade.