quarta-feira, 13 de abril de 2011

De corpo a corpo


Vira-se o corpo do avesso
Fazendo dele um instrumento de poder
Absoluto como o ser em si,
Tão dissoluto feito bocas sem pudor...

Um desejo que oscila modulando
Despejando aquilo que dá e passa
Que arrasa, unifica e faz bem,
Com precisão de uma *fuga enfurecida...

É apenas satisfação carnal,
Diz o instinto animal...
É apenas objeto de desejo,
Diz o corpo ao ensejo...

O único sentimento permitido
É aquele contraído pelos órgãos
Quando não se pensa
E não se procura explicação

Somente recebe e dá prazer
O leite, o deleite, o aceite...
O falo, o regalo, o abalo...
O ébrio, o tédio, o remédio.

A busca incessante pelo efêmero,
O exílio da realidade fatigante,
A perda da consciência vã,
O suicídio vagaroso dos dias...

Todo esse véu nos impele
A olhar a pele como veste camuflada
Por preceitos puritanos medievais
Fechando os olhos para o que há de mais concreto,
Para o que há de mais mundano e natural.

*Estilo de composição contrapontista, polifônica e imitativa, de um tema principal, com sua origem na música barroca.

Heitor Idílio (Alma de Poeta)

2 Apreciações:

Pequeno Hans disse...

Meu corpo me comove...com esses gozos êfemeros, pedido um novo começo para a bela morte.
abraços
Hans Muller

Ela disse...

Se eu pudesse ser meu corpo, engoliria o mundo numa explosão.

Bjo Grande