
Vira-se o corpo do avesso
Fazendo dele um instrumento de poder
Absoluto como o ser em si,
Tão dissoluto feito bocas sem pudor...
Um desejo que oscila modulando
Despejando aquilo que dá e passa
Que arrasa, unifica e faz bem,
Com precisão de uma *fuga enfurecida...
É apenas satisfação carnal,
Diz o instinto animal...
É apenas objeto de desejo,
Diz o corpo ao ensejo...
O único sentimento permitido
É aquele contraído pelos órgãos
Quando não se pensa
E não se procura explicação
Somente recebe e dá prazer
O leite, o deleite, o aceite...
O falo, o regalo, o abalo...
O ébrio, o tédio, o remédio.
A busca incessante pelo efêmero,
O exílio da realidade fatigante,
A perda da consciência vã,
O suicídio vagaroso dos dias...
Todo esse véu nos impele
A olhar a pele como veste camuflada
Por preceitos puritanos medievais
Fechando os olhos para o que há de mais concreto,
Para o que há de mais mundano e natural.
*Estilo de composição contrapontista, polifônica e imitativa, de um tema principal, com sua origem na música barroca.
Heitor Idílio (Alma de Poeta)
2 Apreciações:
Meu corpo me comove...com esses gozos êfemeros, pedido um novo começo para a bela morte.
abraços
Hans Muller
Se eu pudesse ser meu corpo, engoliria o mundo numa explosão.
Bjo Grande
Postar um comentário